22 Novembro, 2008
21 Novembro, 2008
VARIO
Outro dia ouvi dizer que blogs só servem como diários, foram criados para isto. Pode até ser que tenham sido criados para tal, mas creio que já houve uma mudança e, hoje, eles servem para diferentes usos.
Este blog não é diário, nem anuário, nem noticiário.
Registros ocasionais. Tal como faço em agendas.
22 Agosto, 2008
Casa de bruxa
Vou contar sobre os dois que vieram aqui em casa consertar o aparelho de som. Recomendação de um amigo.
Chegaram, deram umas mexidas, engatilharam tudo. Tagarelaram muito enquanto faziam os gatilhos. Mais tarde trocariam as peças que estavam em péssimo estado, prometeram. Ótimo.
Como tinham realizado a tarefa e nada mais havia a fazer – uma daquelas situações em que, por ser amigo de amigo, nos sentimos na obrigação de cumprir certos rituais de boa convivência – começaram a olhar para os lados.
Loucura total.
Acharam coisas estranhíssimas: pedaços de animais marinhos calcificados; objetos de ferro de formas estranhas com uns duzentos anos de existência; patos, elefantes, cavalos, coruja vermelha, coruja de cor natural, homens caminhando sobre a mesa levando cestos de peixes na cabeça; pedras de várias cores e tamanhos; um cego com seu guia comendo melancia; abóboras, pássaros, areias presas na parede para não escapar; seres estranhos saindo de um espelho; uma casa seca de camotinho, do tamanho de uma bola de futebol, dentro de um pote de latão; uma pedra redondinha de pó de mármore com barro, de consistência estranha e gostosa de ter na mão; anjos deitados no vidro, ou presos numa grade ferruginosa, mas polida; um tronco de árvore cavernoso com labirintos provocados em sua dura superfície; máscaras, máscaras e mais máscaras estranhas olhando-os.
Foi demais. Os tagarelas emudecidos mal balbuciaram que estavam com muita pressa e dispararam assustados porta fora.

5 Agosto, 2008
Renovando laços
Oi!
Como previsível Fênix, estou de volta.
Com tens passado?
A vida tem começado a te sorrir?
Surgiu um novo amor?
Uma nova esperança?
Teus filhos vão bem?
Tua alma como está?
E teu corpo te é uma boa companhia?
Beijinhos da amiga,
Violeta
1 Agosto, 2008
26 Junho, 2008
6 Maio, 2008
Essais de Montaigne – L’Humaine condition
De cent membres et visages qu’a chaque chose, j’en prens un… J’y donne une poincte, non pas le plus largemente, mais le plus profondément que je sçay… sans desseins, sans promesse, je ne suis pas tenu d’en faire bon, ny de m’y tenir moy mesme, sans varier quand il me plaist, et me rendre au doubte et à l’incertitude, et à ma maistresse forme qui est l’ignorance… (1,50, p.578 )
Il n’y a que vous qui sçache que vous estes lache et cruel ou loyal et devotieux; les autres ne vous voyente point, ils vous devinent par conjectures incertaines… (3,2, pp.45/46)
Para facilitar, uma tradução livre:
Dos cem membros e aspectos que tem cada coisa, pego um… Dou um ponto, não o mais largamente, mas o mais profundamente que sei… sem projeto, sem promessa, não sou obrigado a fazê-lo bem, nem de conservá-lo eu próprio, sem alterar quando me apraz, e me entregar à dúvida e à incerteza, e à minha habilidade dominante que é a ignorância…
Somente tu sabe se és covarde e cruel ou leal e devotado; os outros não te vêem, te adivinham por conjecturas incertas…
10 Abril, 2008
Noturno
Gosto vago pelo noturno das ruas. Vontade do vazio da cidade.
Largar a lucidez que tolhe a compreensão e sabedoria do já visto e seguir. Caminhar ouvindo o eco na calçada.
Luzes amarelecendo o abandono do burburinho.
Buracos nas casas indicando a solidão de vizinhos.
Medo do escuro inesperado. O sabor amargo da surpresa que pode assaltar e roubar uma vida.
Rostos desconhecidos que olham e não se reconhecem. Amantes que brigam por tolices e pessoas que se entendem sem saber o que disseram. Faces inexpressivas de tanto sofrerem e a dor imaginária estampada em corpos sadios. Crianças órfãs em busca de pais vivos. Mendigos de si próprios jazem cobertos pelas caixas que embrulharam o último modelo de televisão.
Risos nos bares. Sabidos exploram soluções para problemas mundiais.
Lixo nos tropeços errantes.
Árvores, capim, canteiros inúteis.
Encontros, partidas, renúncias, abraços, promessas…
Botas que esfolam passos cansados.
Pés pesados de remorsos.
Zumbis entre fantasmas luminosos.
22 Março, 2008
Um ET

O ET que passou pelo meu quintal e quase assombrou. Quando percebeu que só deixou todo mundo curioso foi embora assombrar em outro lugar.





